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Parkinsonismo Atípico

por romasi, em 24.12.04

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Parkinsonismo Atípico


 


Este artigo vem publicado na Revista Beija-flôr nº 48.


Esta magnífica revista pertence à Associação Brasil Parkinson e encontra-se à disposição de todos para download .


Dado o elevado interesse para os doentes de Parkinson em Portugal, aqui se reproduz por completo este artigo, respeitando a escrita em língua Portuguesa do Brasil, citando-se o seu autor e as fontes.


 


Parkinsonismo atípico


“Nem sempre o diagnóstico da doença de Parkinson (DP) é dado pelo médico de uma forma categórica.


Em algumas situações, o médico diz que o paciente tem uma “síndrome parkinsoniana” ou, outras vezes, um “Parkinsonismo atípico”, e não o diagnóstico de certeza da doença de Parkinson. Mas, afinal, o que é síndrome parkinsoniana e o que é Parkinsonismo atípico?”


Autor: Dr. Henrique Ballalai Ferraz


Síndrome parkinsoniana ou “parkinsonismo” diz respeito à presença do seguinte conjunto de sinais e sintomas: tremor nas mãos, pernas ou no queixo (especialmente aquele que é mais evidente quando o indivíduo está sem movimentar-se, com o corpo relaxado), enrijecimento muscular, lentidão e dificuldade para se movimentar (conhecida como acinesia ou bradicinesia), além de problemas para se manter em pé ereto e equilibrado.


Essa combinação de sintomas pode ser observada em inúmeras condições clínicas como a DP, o uso prolongado de determinados tipos de medicamentos, problemas circulatórios cerebrais, algumas doenças degenerativas do sistema nervoso, intoxicação crônica por contaminantes ambientais (como exposição ao manganês), entre outras.


Na maioria das vezes o diagnóstico do fator causal da síndrome parkinsoniana não é difícil. Por exemplo, se o indivíduo com aqueles sintomas vem usando um medicamento neuroléptico (um tipo de remédio utilizado para tratar problemas psiquiátricos), é relativamente fácil identificar que medicação é a causa do problema. O mesmo acontece se ele trabalhar em uma usina de fundição de aço, expondose ao vapor do metal manganês.


Enfim, a história clínica do indivíduo dá informações preciosas ao médico para chegar à causa do problema.


Entretanto, algumas vezes o indivíduo tem aquele conjunto de sinais e sintomas, mas nenhum fator causal aparece na história. Como então chegar ao verdadeiro diagnóstico do paciente?


O diagnóstico dessa doença é feito em bases estritamente clínicas, ou seja, não há qualquer exame que comprove, seja um teste no sangue ou um exame radiológico. Desse modo, o médico baseia-se essencialmente na história e no exame físico do indivíduo. Tipicamente, a enfermidade inicia-se após os 50 anos e seus sintomas começam a se manifestar apenas em um dos lados do corpo, progredindo paulatinamente com o decorrer do tempo.


Além disso, na DP, nenhuma outra anormalidade neurológica costuma estar associada a sinais e sintomas parkinsonianos (tremor, rigidez muscular, acinesia e anormalidades do equilíbrio postural).


Um outro dado útil ao médico é a resposta à ingestão de medicamentos contendo levodopa. Na DP costuma haver uma melhora dos sintomas com o efeito do medicamento, o que não ocorre, com algumas exceções, nas outras formas de parkinsonismo. Muitas vezes, o médico pede exames de ressonância magnética ou tomografia computadorizada cerebral com o intuito de afastar outros diagnósticos que eventualmente possam confundir-se com a DP.


Há situações, entretanto, especialmente em algumas formas de parkinsonismo associado a doenças degenerativas do sistema nervoso, nas quais os sintomas do paciente não permitem ao médico ter certeza da origem do quadro numa avaliação inicial. Daí o termo “parkinsonismo atípico”. Aqui o quadro clínico é semelhante ao da DP, porém o modo como a doença progride e a resposta ao tratamento medicamentoso são diferentes.


A DP e o parkinsoniano atípico têm muitos pontos em comum. Entre eles, ressaltamos a idade de início (de um modo geral após os 50 anos) e a presença da combinação dos sinais e sintomas da síndrome parkinsoniana.


Contudo, muitos podem ser os pontos de distinção entre as duas condições, mas, às vezes, essas diferenças ser tão sutis que, ao médico menos experimentado, passa totalmente despercebidas.


Quais seriam, então, as principais diferenças entre a doença de Parkinson e o parkinsonismo atípico?


A primeira delas é que a DP é uma doença e o parkinsonismo atípico representa um grupo de diversas doenças.


O parkinsonismo atípico também é chamado de “Parkinson-plus”. “Plus” (“mais”, em inglês) porque neste grupo de doenças é muito comum haver uma síndrome parkinsoniana “mais” outras anormalidades neurológicas. Portanto, a combinação de parkinsonismo a demência, incoordenação motora, alteração dos movimentos oculares, queda da pressão arterial na posição ereta, descontrole urinário ou fecal, entre outros, podem levantar suspeitas de parkinsonismo atípico.


Outras manifestações são mais frequentes no parkinsonismo atípico do que na DP. Podemos mencionar o início bilateral dos sintomas, problemas com o equilíbrio e quedas freqüentes logo no começo da doença e problemas com a voz e com a deglutição, também aparecendo precocemente. Outra diferença importante é que no parkinsonismo atípico não há uma resposta satisfatória ao tratamento com os medicamentos utilizados no Parkinson.


Dr. Henrique Ballalai Ferraz


Neurologista, Professor do Curso de Pós-Graduação em Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - Escola Paulista de Medicina


 


Autor Dr. Orlando G. Povoas Barsottini


 


Entre as doenças do grupo do parkinsonismo atípico temos a paralisia supranuclear progressiva, a atrofia de múltiplos sistemas, a degeneração corticobasal e a doença dos corpúsculos de Lewy.


Todas são doenças neurológicas degenerativas cuja causa ainda é desconhecida.


A paralisia supranuclear progressiva (PSP) é provavelmente a doença mais comum do grupo do parkinsonismo atípico.


É uma doença que se inicia por volta dos 50/60 anos de idade, sendo comum a presença, logo de início, de desequilíbrio e quedas. As manifestações parkinsonianas são comuns, mas é freqüente a ausência do tremor de repouso.


Com a evolução vão ficando evidentes os problemas com a deglutição e a fala. Mudança do humor, esquecimentos freqüentes e progressivos, dificuldade para movimentar os olhos no sentido vertical e uma postura anormal do pescoço para trás vão aparecendo na evolução da doença.


Não há ainda um tratamento medicamentoso específico para a PSP, mas a fisioterapia e a fonoterapia trazem benefícios. Nos EUA e na Europa existem associações dedicadas a familiares e pacientes com PSP e o site da Sociedade Americana de PSP (www.psp.org) traz informações muito interessantes.


A atrofia de múltiplos sistemas (AMS) é uma doença neurológica degenerativa cuja principal característica é a combinação de parkinsonismo, disfunção do sistema nervoso autônomo e sintomas relacionados ao mau funcionamento do cerebelo, uma das estruturas do cérebro. A disfunção autonômica manifesta-se com acentuada queda da pressão arterial do indivíduo em posição ereta (chamada “hipotensão ortostática”), descontrole urinário e alteração na função intestinal, entre outros sinais. Os sintomas relacionados ao cerebelo são incoordenação no andar (chamada de “ataxia da marcha”) e nos movimentos dos braços e das pernas.


Dependendo de cada paciente, um dos sintomas pode predominar sobre os demais. Quando os sintomas relacionados ao mau funcionamento autonômico predominam, pode-se dizer que a AMS tem o subtipo de “síndrome Shy-Drager”; quando o predomínio é dos sintomas cerebelares, “atrofia olivopontocerebelar”; no predomínio do parkinsonismo, “degeneração estriadonigral”.


Em todas as formas de AMS a levodopa, o mesmo medicamento utilizado na doença de Parkinson, pode trazer algum benefício ao paciente, especialmente nas fases iniciais. Medidas paralelas, como medicamentos para minimizar as oscilações da pressão arterial, a fisioterapia e a fonoterapia têm valia.


A doença por corpúsculos de Lewy tem alguma semelhança com o mal de Alzheimer, pois pode aparecer em pessoas mais idosas e associar um quadro demencial com sinais parkinsonianos leves. A degeneração corticobasal é uma doença muito rara que além de parkinsonismo pode manifestar contrações musculares e alteração na movimentação de um dos membros.


Apesar das inúmeras diferenças apontadas entre a DP e as diversas formas de parkinsonismo atípico, nem sempre, na prática, é fácil para o médico identificá-las com certeza. O conhecimento dessas doenças degenerativas do sistema nervoso que se confundem com a DP tem permitido uma maior capacidade para diagnosticar os pacientes e, assim, tratá-los de forma mais eficaz. Muitas pesquisas estão em andamento e temos certeza de que em breve o resultado delas trará novo alento aos pacientes.


 


Dr. Orlando G. Povoas Barsottini


Neurologista do Setor de Distúrbios do Movimento da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - Escola Paulista de Medicina


 


(FONTE)


Revista Beija-flor nº 48 da Associação Brasileira de Parkinson


Caso haja qualquer impedimento legal, que presumo não ser o caso, este artigo que transcrevi será imediatamente apagado.


Desde já os nossos agradecimentos à APB pelo valioso site e pelo trabalho que desenvolve em favor da comunidade de doentes com o mal de Parkinson.


“A Associação Brasil Parkinson é uma instituição reconhecida como de Fins Filantrópicos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, do Ministério da Previdência e Assistência Social. Não tem fins lucrativos e sobrevive unicamente graças à sua contribuição, pois não conta com nenhuma outra fonte de receita.


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Rogério Simões


27-11-2004

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publicado às 16:44




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