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EMBOSQUEI-ME NA INDIFERENÇA

por romasi, em 05.11.06

(Foto de Padre Pedro)

EMBOSQUEI-ME NA INDIFERENÇA

(Rogério M. Simões)

 

Embosquei-me na indiferença,

sem sentido,

e em cada dia que passa,

parte a sorte nos ponteiros do silêncio.

 

Estou um mestre de silêncios.

Esfrego o corpo por tudo o que senta,

assenta ou me deita.

 

Deito aos poucos o que resta de mim.

Penduro-me nos ponteiros do relógio,

giro e volto

aos marginais pessimismos.

 

Interrogo-me nas orações.

Interrogo e rogo

para que tudo seja melhor

mas a sorte não muda.

Mudam os silêncios redobrados,

desencantados: porquê?

 

Antes, quando era esperança,

não agonizavam as palavras

e os dias eram claros como o sol.

Para quê a poesia

se o poeta não casa as palavras da sorte

e se refugia nesta catarse do nada.

6/1/2006

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publicado às 17:35


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