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Zumbido...

por romasi, em 22.03.10

ZUMBIDO
Rogério Martins Simões
 
Lá fora,
no colar da escuridão,
percute o vai e vem
das ondas do mar.
 
Mandei calar o vento
e o mar amainou.
Pedi à coruja silêncio
e ela acordou.
Veio o mocho
e acabou por anuir.
Lá fora
a noite nem é de grilos...
e não consigo dormir!
 
Aqui, nos meus ouvidos,
um zumbido ruidoso
corrompe este pacto de silêncio.
Amanhã,
ordenarei ao mar
e ao vento,
ao mocho, à coruja
e ao sino do templo,
para que não deixem silenciar a noite.
 
A minha noite
não é só de grilos...
Espasmos dolorosos pulsam
e não me deixam sossegar.
 
Lisboa, 07-02-2010 22:36:39
(Diálogos da alma com o poeta: diário de um doente de Parkinson)

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publicado às 21:08




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