Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Avatar e a Parkinson...

por romasi, em 27.12.09

 

 

 

 
Tínhamos chegado adiantados.
Chegássemos mais cedo e já não teríamos de esperar.
Subimos por escadas rolantes que nos levaram por caminhos distantes ao quarto andar.
Que tragédia provar umas calças.
Os provadores têm pequenos triângulos que nem dão para sentar. Que importa, quem se importa, com todos aqueles que já nem conseguem andar? Não! Não olhem para mim que ainda consigo disfarçar…
Carinhosa, a Bete, pegava na minha mão esquerda que teimosamente se queria esconder. Dei-lhe a mão direita para não chorar, a esquerda tremia, tremia, e ainda não a consegui parar.
Voltam as angústias, esta enorme dor que eu sinto por tremer, esta mão que não escreve e que ao de leve se vai escondendo por querer.
Temo por mim… Não estou bem assim.
Meu corpo pesa, minha alma adoece, padece.
 
AVATAR
Pudesse recuar ao tempo em que meus pés voavam pelas pistas de cinza. Avatar!
Pudesse regressar ao meu corpo menino, evitando os caminhos que penei e continuo a penar.
 
Fui ao cinema, acabo de chegar.
O filme era tão lindo que acabei por chorar
A fita já acabou e vai recomeçar. Avatar! Avatar!
A Parkinson já avançou e não vai parar.
Bete, meu amor: que eu seja o teu AVATAR…
Lisboa, 27-12-2009 00:07:30

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:54


Amanhã estarei melhor...

por romasi, em 30.03.08

 

 

(Óleo sobre tela Real Bordalo)

 

 

No dia 27 de Abril de 2008 consegui, finalmente, escrever um lindo soneto dedicado à minha estrela – Elisabete Sombreireiro Palma, à “ESTRELA MAIS BELA QUE ENCONTREI” e, nesse mesmo dia, agradeci aos céus este facto, marquei uma visita a Barrancos pensando que tinha passado esta difícil fase. Não passou! A dificuldade em escrever é, em cada dia que passa, maior. Tremo, temo! Como é difícil superar os estragos causados por esta doença! Estou a ficar muito cansado…

 

O grito que aqui deixo, sem data, tem hoje mais sentido.

Nestes últimos meses tenho observado em mim o agravamento dos sintomas da Parkinson. É como uma revolta sonâmbula que me tem impedido de escrever poesia; de reviver na esperança, que me deixa em pranto, mas não quer compaixão!

 

Como funcionário público, tudo me é exigido como estivesse bem. Não estou!

Que falta de sensibilidade! Quanta ignorância reina da mente sábia dos que persistem em tratar mal todos os trabalhadores de função pública. Que luta tremenda enfrento, todos os dias pregado a um computador, para dar pareceres técnicos. Afinal, tenho 58 anos de idade e 38 anos de descontos - igual a 18% de penalização. Que descaramento! Que falta de solidariedade e desamor.

Que esperança de vida “à solta” me resta?

 

Desculpem-me este desabafo mas estou a ficar farto. Farto-me de lutar para que não me vá abaixo, para que não desista de lutar pela vida e que vida nos dão estes senhores?

 

Amanhã estarei melhor…

30-03-2008 23:47:49

Sempre,

Rogério Martins Simões

 

 

 

 

Amanhã estarei melhor

Rogério Martins Simões

 

Hoje continua o lastro

do meu estado de alma

do dia de ontem.

Estou envolvido

numa teia que enleia.

Estou como que pregado

a um madeiro

sem pregos ou cordas.

 

Solto uma terrível agonia

e, sem dar conta,

nem vómitos dão a perceber.

 

Sou uma represa invisível

num turbilhão de água

pesarosa.

 

Se ao menos chorasse.

Se ao menos morresse.

 

Sou um ser solitário

acompanhado

com a mulher mais presente

- O amor da minha vida.

 

Será do tempo?

 

Hoje meu corpo

nem o Tejo espreitou!

Sinto-me agarrado a nada,

e nem mesmo a lua

terá saudades em me ver.

 

Este vazio imenso

parece furtar

as palavras do coração.

Parece levar a alma,

que renascia,

quando noite fora partia,

pelo Tejo,

em busca de uma bruma de saudade.

 

Será do Inverno?

 

Não! O Inverno esquivou-se

nas estações esquecidas,

onde nem as carruagens

de terceira classe param.

 

Amanhã estarei melhor!  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:59


Preciso de paz! Necessito de luz

por romasi, em 03.05.07

 

(Óleo sobre tela – 2007-

Elisabete M. Sombreireiro Palma)

 

 

Preciso de paz! Necessito de Luz

(Rogério Martins Simões)

 

Carrego as minhas emoções,

Sou lembrança e pensamento.

Como distinguir o indistinto

Se tudo não parece mudar

 

Confundem-me as emoções!

Bebo em cada momento,

A bebedeira que não sinto

Tombo! O meu corpo vai tombar!

 

Pouco importa que eu chore

Se meu o choro já não chora!

 

Decerto que a lua fugiu…

pois toda a noite se fez breu.

Ando por aí sem rumo,

cegueira virtual

que me conduz ao abismo.

 

Foi de propósito!

Conhecem o meu gosto pelo

Luar…

Acabo por passar

por uma fase da lua à

cintura…

 

Preciso de luz!

Necessito de paz!

 

Conduziram a estrela

da noite

ao hospício

Amarraram-na

num colete-de-forças.

 

Não forces o teu sorriso!

Se não te avisto…

Visto um disfarce

para libertar os prisioneiros…

 

Rastejo barata pelas

paredes

Medeio um conflito

entre loucos…

Preciso de luz!

Necessito de paz!

 

Certo que a lua não

fugiu,

de mim, sem eu…

Meu rumo é sofrer,

vendo, no real, este enorme

cinismo.

Roubaram o que me resta

do verbo amar

Acabo por cegar

e ainda, assim,

enxergo a amargura!

 

Lisboa, 3 de Maio de 2007

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:53